Quarta-feira, Agosto 19, 2026

VACINA EXPERIMENTAL CONTRA CÂNCER DE PELE APRESENTA RESULTADO HISTÓRICO EM ESTUDO DE FASE 3

➡️Um tratamento experimental personalizado desenvolvido pelas farmacêuticas Moderna e MSD apresentou resultados positivos em um estudo clínico de fase 3 contra o melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. Os resultados foram anunciados nesta quarta-feira (19) e representam um importante avanço no desenvolvimento de terapias contra o câncer baseadas em RNA mensageiro (mRNA).

A terapia, chamada intismeran autogene, também conhecida como mRNA-4157 ou V940, foi avaliada em combinação com o Keytruda (pembrolizumabe), medicamento de imunoterapia já utilizado no tratamento do melanoma.

Segundo as empresas, a combinação foi capaz de aumentar significativamente o período em que os pacientes permaneceram sem o retorno da doença e também reduziu o risco de disseminação do câncer para outros órgãos.

TERAPIA É PERSONALIZADA PARA CADA PACIENTE
Diferentemente de uma vacina convencional, o tratamento é produzido individualmente a partir das características genéticas do tumor de cada paciente.

A tecnologia identifica mutações específicas presentes nas células cancerígenas e utiliza moléculas de mRNA para orientar o sistema imunológico a reconhecer essas alterações. A expectativa é que, dessa forma, as próprias defesas do organismo consigam identificar e combater células tumorais que possam permanecer no corpo após a retirada do câncer.

A terapia experimental é administrada junto ao Keytruda, que atua estimulando a resposta do sistema imunológico contra as células tumorais.

ESTUDO ENVOLVEU MAIS DE MIL PACIENTES
O estudo de fase 3, denominado INTerpath-001, contou com 1.137 pacientes diagnosticados com melanoma nos estágios IIB a IV. Todos apresentavam alto risco de recorrência e já haviam passado por cirurgia para retirada completa do tumor.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Cerca de dois terços receberam a combinação da vacina personalizada com o Keytruda, enquanto o grupo restante recebeu apenas o medicamento de imunoterapia.

O tratamento foi realizado durante aproximadamente um ano. Os pacientes que receberam a terapia experimental poderiam receber até nove doses da vacina personalizada, administradas em intervalos de três semanas, associadas ao Keytruda, aplicado a cada seis semanas.

DOIS PRINCIPAIS OBJETIVOS FORAM ALCANÇADOS
Na análise preliminar programada, a combinação atingiu os dois principais objetivos estabelecidos para o estudo.

O primeiro foi a sobrevida livre de recorrência, indicador que mede o período em que o paciente permanece sem que o câncer volte após o tratamento.

O segundo foi a sobrevida livre de metástase à distância, que avalia o tempo até uma eventual disseminação da doença para outros órgãos.

De acordo com a Moderna e a MSD, os resultados apresentaram diferença estatisticamente significativa e relevância clínica quando comparados ao tratamento somente com Keytruda.

Os números detalhados referentes à redução de risco ainda não foram divulgados nesta etapa. As empresas informaram que os dados completos serão apresentados em um evento científico e posteriormente encaminhados às autoridades regulatórias.

RESULTADOS ANTERIORES JÁ HAVIAM MOSTRADO BENEFÍCIO
O resultado da fase 3 amplia evidências obtidas anteriormente com a mesma estratégia terapêutica.

Dados de acompanhamento de cinco anos divulgados em janeiro de 2026 indicaram que a combinação do tratamento personalizado com Keytruda havia reduzido em 49% o risco de recorrência ou morte em comparação com o uso isolado da imunoterapia.

O novo resultado, agora obtido em um estudo de fase 3, é considerado especialmente relevante porque os ensaios dessa etapa são realizados com um número maior de participantes e têm como objetivo confirmar a eficácia e a segurança de um tratamento antes de uma eventual aprovação pelas autoridades sanitárias.

SEGURANÇA CONTINUA SOB AVALIAÇÃO
Em relação à segurança, as empresas informaram que o estudo não identificou novos sinais de alerta. Os efeitos adversos observados foram considerados compatíveis com o perfil já conhecido da combinação entre os tratamentos.

Apesar dos resultados positivos, o acompanhamento dos participantes continuará. Um dos próximos objetivos será avaliar a sobrevida global, indicador que mede o tempo de vida dos pacientes após o tratamento.

PRÓXIMA ETAPA É BUSCAR APROVAÇÃO
Com os resultados positivos do estudo de fase 3, Moderna e MSD devem avançar nas tratativas com as autoridades sanitárias para apresentar os dados e solicitar a aprovação da terapia.

Caso seja aprovada, a tecnologia poderá representar um novo caminho para o tratamento do melanoma de alto risco, ao combinar imunoterapia com uma abordagem personalizada baseada nas características genéticas de cada tumor.

O resultado também é considerado um marco para a tecnologia de mRNA aplicada à oncologia, já que, segundo as empresas, este é o primeiro estudo clínico de fase 3 de uma terapia oncológica personalizada baseada em RNA mensageiro a apresentar resultado positivo.

Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS

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