Na confusão, torcedores detonaram bombas e rojões, invadiram áreas próximas aos vestiários e setores administrativos, causando medo entre funcionários, atletas e imprensa. A PM e o Batalhão de Choque foram acionados e controlaram a situação após cerca de duas horas. O protesto ocorre na véspera da semifinal contra o Náutico, marcada para esta quarta (11).

➡️A tarde desta terça-feira (10) foi marcada por momentos de tensão, correria e pânico no Estádio do Arruda, na Zona Norte do Recife. Integrantes de uma das principais torcidas organizadas do Santa Cruz invadiram a sede social e áreas internas do estádio durante um protesto contra a diretoria do clube, em meio à crise administrativa e estrutural vivida pelo Tricolor.
A invasão ocorreu às vésperas do Clássico das Emoções contra o Náutico, válido pela partida de ida da semifinal do Campeonato Pernambucano. O confronto está marcado para esta quarta-feira (11) e, apesar do desejo da torcida de jogar no Arruda, será realizado na Arena de Pernambuco.
Segundo informações apuradas, os torcedores conseguiram acessar setores próximos aos vestiários, corredores internos e até áreas administrativas do clube, provocando medo entre funcionários, atletas e profissionais da imprensa que estavam no local. Durante a ação, bombas de efeito sonoro e rojões foram detonados dentro das dependências do estádio, intensificando o clima de pânico.
A situação durou cerca de duas horas e só foi controlada após a chegada de equipes da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) e do Batalhão de Choque.
PROTESTO OCORREU APÓS COLETIVA E TEVE CLIMA DE AMEAÇA
O episódio aconteceu logo após uma entrevista coletiva realizada na sala de imprensa do Arruda, que contou com a presença do técnico interino Fábio Cortez e do CEO do clube, Pedro Henriques. Conforme relatos, algumas bombas foram estouradas logo após o encerramento da coletiva, forçando profissionais de imprensa a serem deslocados para outro espaço mais reservado por segurança.
A informação sobre a movimentação foi divulgada inicialmente pelo jornalista Igor Moura, da Rádio Jornal, que acompanhava o ambiente no local.
ORGANIZADA PULOU MARQUISE E FORÇOU ENTRADA EM ÁREAS INTERNAS
De acordo com relatos colhidos no local, integrantes da organizada conseguiram invadir o estádio pulando de uma das marquises localizadas na área da sede social. Em grande número, o grupo não foi contido pelos seguranças do clube e passou a circular pelos corredores internos, gerando correria.
Ainda segundo informações apuradas, os torcedores chegaram a forçar a porta dos vestiários dos atletas. Além disso, houve tentativa de invasão ao setor da imprensa, onde uma grade de ferro foi danificada e ficou com um buraco visível entre as hastes.
O barulho das explosões e o avanço do grupo aumentaram o clima de medo entre pessoas que trabalhavam no estádio.
TREINO FOI IMPACTADO E ATLETAS ESTAVAM EM ATIVIDADE INTERNA
O treino do Santa Cruz estava previsto para começar às 15h30. No momento da invasão, os atletas participavam de uma atividade interna com a psicóloga do clube, assistindo a um vídeo antes do início dos trabalhos no gramado.
Com o avanço do protesto, houve contato entre membros da torcida e jogadores do elenco. Registros em vídeos mostraram conversas com atletas como o zagueiro William Alves, o volante Gabriel Galhardo e o meia Patrick Allan. O tom, segundo relatos, foi de cobrança, mas também de incentivo para a partida decisiva contra o Náutico.
TORCIDA COBROU DIRETORIA E APONTOU “FUGA” DE DIRIGENTES
Durante a invasão, a organizada buscava conversar diretamente com integrantes da alta cúpula do clube, incluindo o presidente Bruno Rodrigues, o executivo de futebol Harlei Menezes, o presidente da Comissão Patrimonial Adriano Lucena e o vice-presidente Marco Benevides.
No entanto, nenhum deles estava presente no estádio durante o protesto, o que aumentou a revolta de parte dos torcedores. Conforme relatos, membros do movimento afirmaram que a direção teria conhecimento prévio do protesto e evitou aparecer no local.
POLÍCIA MILITAR FOI ACIONADA E NEGOCIAÇÃO OCORREU COM CEO
Com o aumento do risco de violência, a Polícia Militar foi acionada e enviou cerca de dez viaturas, incluindo equipes do Batalhão de Choque. Após a chegada do efetivo, foi negociado que representantes da torcida conversariam com o CEO Pedro Henriques, apontado como o único dirigente presente no estádio no momento do tumulto.
Na conversa, foram abordados temas como atrasos e pagamentos de salários, além do compromisso da direção em resolver problemas estruturais e administrativos do clube.
Apesar do clima de agressividade, até o fechamento desta reportagem não havia confirmação de feridos graves. Houve registro de danos materiais considerados leves.
CRISE NO ARRUDA FOI UM DOS PRINCIPAIS MOTIVOS DO PROTESTO
A invasão desta terça-feira foi considerada o ápice de um cenário de insatisfação crescente da torcida coral, que vem criticando a atual gestão por questões administrativas, financeiras e estruturais.
Entre as principais reclamações apontadas pelos torcedores estavam:
risco de interdição parcial do Arruda, prejudicando jogos decisivos;
problemas no gramado e na estrutura geral do estádio;
falta de reformas prometidas em setores com capacidade reduzida;
cobrança por mais transparência na administração e investimentos no futebol;
preocupação com compromissos financeiros e salários do elenco.
A situação do Arruda voltou ao centro das discussões nos últimos dias, principalmente por conta da indefinição sobre a liberação do estádio para partidas decisivas do Campeonato Pernambucano.
DIRETORIA ADMITE DIFICULDADES E PROMETE MEDIDAS APÓS O CARNAVAL
Após o episódio, representantes do clube se reuniram com lideranças da torcida organizada para tentar conter a crise e evitar novos confrontos.
Em pronunciamento posterior, a diretoria reconheceu a gravidade da situação estrutural do Arruda e afirmou que pretende tomar providências imediatas.
“Pedimos desculpas ao torcedor. A situação estrutural é crítica, mas estamos trabalhando para garantir que o Arruda seja a nossa casa na semifinal. Medidas serão tomadas imediatamente após o Carnaval”, afirmou a gestão.
Até o momento, o clube ainda não divulgou uma nota oficial detalhando os danos ou informando providências administrativas sobre o caso.
PROTESTO JÁ TINHA SIDO ADIADO POR CHUVA
Segundo apuração, integrantes da torcida organizada já haviam tentado se reunir no Arruda na semana anterior, mas não encontraram representantes do clube. Uma nova mobilização estava prevista para o sábado, porém foi adiada devido às chuvas e remarcada para esta terça-feira (10), quando ocorreu a invasão.
SANTA CRUZ VIVE INSTABILIDADE DENTRO E FORA DE CAMPO EM 2026
O Santa Cruz atravessa um momento turbulento na temporada 2026. O clube enfrenta dificuldades na transição do modelo associativo para a SAF e vem lidando com instabilidade administrativa, críticas da torcida e problemas estruturais no Arruda.
Dentro de campo, o desempenho irregular custou o cargo do técnico Marcelo Cabo, demitido após a goleada sofrida por 4 a 0 para o Náutico. Sob comando interino de Fábio Cortez, o Tricolor conseguiu avançar às semifinais do Estadual e segue vivo na briga por vaga na final.
Apesar de uma vitória expressiva por 6 a 0 sobre o Jaguar na primeira fase, o Santa Cruz acumulou resultados negativos em clássicos e perdeu pontos importantes, encerrando a etapa classificatória na quarta colocação, atrás de Náutico, Sport e Retrô. Com isso, precisou disputar uma fase eliminatória anterior e avançou após superar o Decisão.
CLIMA DE ALERTA PARA O CLÁSSICO DAS EMOÇÕES
Com o aumento da tensão e o histórico de rivalidade entre as torcidas, a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) e a Polícia Militar reforçaram o estado de alerta para o clássico desta quarta-feira (11), com planejamento de segurança ampliado na Região Metropolitana do Recife e no entorno da Arena de Pernambuco.
O jogo de ida da semifinal está mantido e será disputado às 19h (horário de Brasília), na Arena. Já o duelo de volta está marcado para o domingo (22), no Estádio dos Aflitos, às 18h. O confronto definirá o finalista do Campeonato Pernambucano e também pode garantir vaga antecipada na Copa do Nordeste.
EPISÓDIO ESCANCARA CRISE E AUMENTA PRESSÃO SOBRE O CLUBE
A invasão ao Arruda escancarou mais um capítulo da crise enfrentada pelo Santa Cruz, unindo pressão por resultados, instabilidade política e preocupação com a infraestrutura do estádio, que há anos enfrenta críticas e dificuldades para reformas.
A expectativa agora gira em torno de eventuais decisões da FPF, medidas administrativas do clube e reforço no esquema de segurança, para evitar novos conflitos e garantir que a semifinal seja realizada sem incidentes.
A reportagem segue acompanhando o caso e poderá atualizar a qualquer momento com novas informações sobre a situação do Arruda, investigações, decisões da Federação e providências da diretoria coral.
Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS
Foto: Camila Sousa
