Sexta-feira, Março 13, 2026

STF MANTÉM PRISÃO DE DANIEL VORCARO E TROCA NA DEFESA LEVANTA HIPÓTESE DE DELAÇÃO

➡️ A troca na equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a decisão do Supremo Tribunal Federal de manter sua prisão preventiva aumentaram a pressão em torno das investigações relacionadas à terceira fase da Operação Compliance Zero. Nos bastidores de Brasília, as movimentações jurídicas e políticas indicam que o caso pode ganhar novos desdobramentos, incluindo a possibilidade de um acordo de delação premiada.

MUDANÇA NA DEFESA INDICA POSSÍVEL DELAÇÃO
Daniel Vorcaro decidiu substituir sua equipe de defesa. O advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, assumiu o caso no lugar de Pierpaolo Bottini.

A mudança é interpretada por interlocutores em Brasília como um possível sinal de que o banqueiro pode considerar a negociação de um acordo de colaboração premiada. Oliveira Lima é reconhecido por atuar em negociações desse tipo e participou de diversos casos de grande repercussão na Operação Lava Jato.

De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, interlocutores do empresário já teriam sondado a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República para avaliar a possibilidade de um eventual acordo de delação premiada.

As conversas, segundo relatos, foram preliminares e tiveram como objetivo entender qual seria a disposição das autoridades caso Vorcaro decida mudar sua estratégia de defesa. Entre aliados do banqueiro, há avaliação de que ele passou a considerar essa hipótese após a manutenção de sua prisão, numa tentativa de proteger seu patrimônio e familiares.

Até então, a estratégia conduzida por Bottini se concentrava em questionar a legalidade das investigações e tentar reverter a intervenção do Banco Central no Banco Master. Com a chegada de Oliveira Lima, o foco pode passar a ser a colaboração com as autoridades em troca de benefícios penais.

STF FORMA MAIORIA PARA MANTER PRISÃO
No Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça, relator do caso, tomou medidas para evitar uma eventual reversão da prisão do banqueiro na Segunda Turma da Corte.

Antes do início do plenário virtual nesta sexta-feira (13), Mendonça compartilhou com os colegas ministros a representação da Polícia Federal e documentos que embasaram sua decisão de decretar as prisões no dia 4 de março. O inquérito segue sob sigilo.

Havia receio de que pressões externas, inclusive de políticos ligados ao Centrão, pudessem favorecer a soltura de Vorcaro para evitar um eventual acordo de colaboração premiada.

Pouco depois da abertura da sessão, o STF formou maioria para manter a prisão preventiva. Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o voto de Mendonça.

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Ainda falta o voto do ministro Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma. Já o ministro Dias Toffoli declarou suspeição e não participa da votação.

Além de Vorcaro, também foram presos o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Outro alvo da operação, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, morreu após atentar contra a própria vida enquanto estava preso.

Em seu voto, Mendonça afirmou que a prisão continua necessária para garantir o andamento das investigações. O ministro citou a descoberta de mensagens no celular de Vorcaro que conteriam ameaças de morte e possíveis referências a milícias, elementos que, segundo ele, reforçam a necessidade da medida.

CPI DO BANCO MASTER ENFRENTA DIFICULDADES
Enquanto o caso avança no Judiciário, o tema também gera movimentação no Congresso Nacional. O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) apresentou um pedido para a instalação de uma CPI destinada a investigar o Banco Master.

O requerimento recebeu o apoio de 210 deputados, número superior às 171 assinaturas necessárias para protocolar o pedido. Ainda assim, 305 parlamentares não aderiram à iniciativa.

Apesar do número expressivo de apoios, a instalação da comissão enfrenta obstáculos. Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta, há uma fila de requerimentos de CPI aguardando análise, e a ordem de apresentação deve ser respeitada.

Além disso, na quinta-feira (12), o ministro Cristiano Zanin negou um mandado de segurança apresentado por Rollemberg que buscava obrigar a abertura imediata da comissão.

OPOSIÇÃO ARTICULA CPMI
Parlamentares da oposição também articulam a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso.

O pedido foi liderado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), vice-líder da minoria na Câmara, e reuniu 42 assinaturas de senadores e 239 de deputados.

A proposta conta principalmente com apoio de parlamentares da direita e do centro, enquanto o pedido de CPI apresentado por Rollemberg recebeu maior adesão de integrantes da base governista.

O requerimento da CPMI foi apresentado no dia 3 de fevereiro, mas ainda não aparece no sistema oficial do Congresso Nacional, o que impede a verificação de novos apoios.

Diante das investigações em andamento, da pressão política e das movimentações na defesa do banqueiro, o caso envolvendo o Banco Master deve continuar no centro do debate político e jurídico nas próximas semanas.

Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS

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