Segunda-feira, Agosto 10, 2026

PREÇO DO TRIGO SOBE E PÃO FRANCÊS PODE AUMENTAR ATÉ 4%

➡️Alta do cereal e incertezas sobre a próxima safra dificultam repasses; pão francês deve ter reajuste menor, enquanto produtos como pizzas, sanduíches e croissants podem ficar mais caros

O aumento no preço do trigo vem pressionando toda a cadeia de produção de alimentos no Brasil e reduzindo as margens de moinhos e padarias. Diante da alta dos custos e das incertezas relacionadas à próxima safra, empresas do setor estão tentando absorver parte dos reajustes para evitar que o impacto chegue integralmente ao consumidor.

Nos moinhos, a estratégia tem sido controlar custos, reduzir metas de produção e evitar a venda de farinha sem margem de contribuição. Nas padarias, o cenário é semelhante: os estabelecimentos enfrentam dificuldades para repassar toda a alta da farinha, principalmente em produtos de consumo diário, como o pão francês.

MOINHOS JÁ REPASSARAM PARTE DA ALTA

Segundo Paloma Venturelli, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo-PR) e CEO do Moinho Globo, os moinhos já repassaram, em média, entre 10% e 15% do aumento dos custos. Ainda assim, o setor considera necessários novos reajustes para recuperar parte das margens perdidas.

Algumas empresas passaram a reduzir suas metas de volume e moagem como forma de evitar a comercialização de trigo e farinha sem rentabilidade.

A estratégia ocorre em um momento de forte pressão sobre os custos e de dificuldade para negociar novos aumentos com os compradores. Segundo relatos apresentados ao setor, houve casos em que moinhos tentaram aplicar reajustes de aproximadamente 5%, mas encontraram resistência dos clientes.

Para Venturelli, parte dos reajustes que deveriam ter ocorrido no primeiro semestre acabou sendo adiada, aumentando a pressão financeira sobre as empresas.

PRÓXIMA SAFRA GERA INCERTEZAS

Além da alta dos preços, os moinhos enfrentam dificuldades para planejar a compra da matéria-prima diante das incertezas sobre a próxima safra brasileira.

A área plantada com trigo no país vem diminuindo, enquanto as condições climáticas no Rio Grande do Sul também são motivo de preocupação. O cenário é agravado pela preocupação da indústria com a qualidade do trigo argentino, principal origem do cereal importado pelo Brasil.

Para os moinhos, não basta saber quanto trigo estará disponível. É necessário conhecer também a qualidade do cereal, principalmente os níveis de proteína, que influenciam diretamente na fabricação de diferentes tipos de farinha.

Por esse motivo, produtores e cooperativas têm demonstrado cautela na definição de contratos antecipados. Eles ainda não conseguem determinar com precisão o volume e a qualidade que estarão disponíveis após a colheita.

A expectativa é que uma avaliação mais segura da próxima safra só seja possível depois que o trigo for colhido e armazenado.

ESTOQUES ESTÃO MAIS CURTOS

A insegurança também tem levado empresas a evitar a formação de grandes estoques. De acordo com o setor, muitas companhias possuem matéria-prima suficiente apenas para manter a produção até o fim de agosto ou setembro.

Isso deixa os moinhos dependentes da entrada dos novos volumes da safra e de fatores climáticos que não podem ser controlados pela indústria.

A situação aumenta a preocupação porque diferentes tipos de produtos exigem características específicas do trigo. Na panificação, por exemplo, a qualidade da matéria-prima é fundamental para garantir o desempenho da farinha e o resultado final dos produtos.

PÃO FRANCÊS PODE SUBIR MENOS

Nas padarias, a alta do trigo também vem pressionando os custos. De acordo com Alex Martins, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o preço do trigo teria acumulado alta entre 12% e 15% neste ano.

Em períodos considerados normais, os aumentos costumam ficar próximos de 5%.

A farinha de trigo representa entre 20% e 30% dos custos das padarias, dependendo do perfil de cada estabelecimento e dos produtos comercializados.

O pão francês é um dos itens mais diretamente afetados pela alta, já que a farinha representa aproximadamente 70% da receita do produto, além de água e fermento.

Mesmo assim, o setor avalia que o reajuste do pão francês deve ser limitado para evitar uma queda nas vendas.

PRODUTOS DE MAIOR VALOR AGREGADO PODEM TER REPASSES MAIORES

A estratégia das padarias deve ser distribuir parte maior do aumento de custos entre produtos considerados menos essenciais, como pizzas, sanduíches, croissants e outros tipos de pães e confeitos.

Esses itens possuem maior quantidade de ingredientes e maior valor agregado, o que permite maior flexibilidade para a aplicação dos reajustes.

Já o pão francês tem um peso diferente na rotina dos consumidores e funciona como um dos principais produtos de atração das padarias. A expectativa do setor é que o preço do pãozinho tenha um aumento de até aproximadamente 4%.

A tentativa é evitar que uma alta significativa afaste consumidores ou faça com que eles substituam o produto por alternativas mais baratas.

MARGENS DAS PADARIAS ESTÃO CADA VEZ MENORES

O aumento do trigo ocorre em um momento de pressão crescente sobre as margens das padarias. Segundo representantes do setor, os estabelecimentos não conseguem repassar integralmente todos os aumentos de custos aos consumidores.

Além da farinha, as empresas precisam lidar com despesas relacionadas a outros ingredientes, energia elétrica, mão de obra, aluguel, manutenção e demais custos operacionais.

O cenário exige maior controle financeiro e de gestão para que os estabelecimentos consigam manter a rentabilidade.

Diante desse quadro, consumidores podem encontrar preços mais altos em diversos produtos à base de trigo nos próximos meses. Entretanto, a intensidade dos reajustes deverá variar de acordo com cada estabelecimento e produto.

O pão francês, por ser considerado um item essencial e de consumo frequente, tende a receber reajustes mais moderados, enquanto produtos de maior valor agregado podem concentrar uma parcela maior do aumento dos custos.

Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS

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