
➡️ Vinte e uma pessoas, entre elas um turista britânico de 60 anos, estão enfrentando acusações criminais nos Emirados Árabes Unidos após filmarem e compartilharem imagens de ataques com mísseis e drones atribuídos ao Irã. As autoridades do país aplicaram a rigor as leis locais de cibercrime, que proíbem a divulgação de conteúdos que possam causar pânico ou disseminar rumores.
De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, o turista britânico foi preso em Dubai na segunda-feira da semana passada após gravar o momento em que um míssil passou sobre sua cabeça. Segundo a organização Detained in Dubai, que presta assistência jurídica a estrangeiros detidos no país, o homem chegou a apagar o vídeo imediatamente após ser orientado pela polícia, mas ainda assim acabou sendo detido.
A CEO da entidade, Radha Stirling, informou que as 21 pessoas foram incluídas na mesma denúncia. Segundo ela, a legislação de cibercrime dos Emirados Árabes Unidos é bastante rigorosa e permite que qualquer pessoa que compartilhe, republice ou até mesmo comente um vídeo relacionado aos ataques seja acusada criminalmente.
“Um único vídeo pode rapidamente levar dezenas de pessoas a enfrentar acusações criminais”, destacou a organização em comunicado.
PUNIÇÕES SEVERAS
A legislação local prevê penas mínimas de dois anos de prisão, além de multa de 200 mil dirhams — valor equivalente a aproximadamente R$ 280 mil. Ainda de acordo com especialistas, diferentes acusações podem ser acumuladas dependendo da forma como o conteúdo foi compartilhado.
As autoridades alegam que os acusados utilizaram redes de informação ou ferramentas de tecnologia para divulgar notícias falsas, rumores ou conteúdos considerados provocativos, capazes de influenciar a opinião pública ou comprometer a segurança do país.
OUTROS CASOS REGISTRADOS
Em um caso separado, um estudante indiano também foi preso após filmar um ataque na região de Palm Islands e compartilhar o vídeo em um grupo familiar de mensagens. Dois cidadãos franceses chegaram a ser detidos em circunstâncias semelhantes, mas acabaram liberados sem que acusações formais fossem apresentadas.
ALERTAS DAS AUTORIDADES
O embaixador dos Emirados Árabes Unidos no Reino Unido, Mansoor Abulhoul, afirmou que as regras têm como objetivo proteger a população e evitar que pessoas se exponham a riscos, como destroços que podem cair durante ataques.
Além disso, o procurador-geral do país emitiu alertas orientando a população a não divulgar imagens ou informações sobre locais atingidos ou áreas consideradas sensíveis. Segundo o comunicado oficial, fotografar ou compartilhar conteúdos relacionados a instalações críticas pode resultar em ações legais e comprometer a segurança nacional.
A Embaixada do Reino Unido nos Emirados Árabes Unidos também publicou um aviso nas redes sociais lembrando que cidadãos estrangeiros devem respeitar as leis locais, e que violações podem resultar em multas, prisão ou até deportação.
Segundo o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, mais de 1.800 drones e mísseis foram lançados contra o país desde o início do conflito. Os ataques já deixaram seis mortos e 141 feridos.
Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS
