
➡️O início de 2026 tem sido marcado por um dos períodos mais instáveis da história recente da República Islâmica do Irã. O que começou como uma paralisação comercial no tradicional Grande Bazar de Teerã evoluiu rapidamente para uma onda de protestos de alcance nacional, ampliando a pressão sobre o regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei e levantando dúvidas sobre a capacidade do governo de conter a crise.
RIAL EM QUEDA LIVRE ACENDE O ESTOPIM
Diferentemente de manifestações anteriores, motivadas por pautas sociais e políticas, os protestos atuais têm origem predominantemente econômica. O rial iraniano ultrapassou a marca histórica de 1,4 milhão por dólar, provocando uma perda abrupta do poder de compra da população.
A inflação de alimentos, estimada em mais de 70%, atingiu diretamente produtos básicos como óleo de cozinha e frango, cujos preços dispararam de um dia para o outro. Em alguns casos, mercadorias chegaram a desaparecer das prateleiras, intensificando a revolta popular e levando comerciantes a fechar as portas.
ROMPIMENTO HISTÓRICO DO BAZAR COM O GOVERNO
O fechamento do Grande Bazar de Teerã representa um marco simbólico de grande relevância política. Historicamente, os chamados bazaaris foram pilares da Revolução Islâmica de 1979 e aliados estratégicos do regime.
A paralisação, somada a greves no setor de transportes, indica um rompimento inédito entre esse grupo tradicionalmente alinhado ao poder e o governo central, enfraquecendo uma das bases econômicas mais importantes da República Islâmica.
DECISÕES ECONÔMICAS AGRAVAM A CRISE
Analistas apontam que a situação foi agravada por uma recente decisão do Banco Central iraniano de encerrar um programa que permitia a determinados importadores acessar dólares a taxas mais baixas do que as praticadas no mercado paralelo. A medida provocou aumentos imediatos de preços, estimulou o fechamento de lojas e funcionou como catalisador inicial dos protestos.
O governo, liderado por reformistas, tentou conter a insatisfação oferecendo transferências diretas de cerca de US$ 7 por mês à população, mas a iniciativa foi considerada insuficiente diante da gravidade da crise econômica.
RESTRIÇÕES, REPRESSÃO E AMEAÇAS JUDICIAIS
A resposta do Estado tem sido rígida. As autoridades impuseram restrições severas ao acesso à internet e às linhas telefônicas em diversas províncias, especialmente na quinta-feira (8), considerada a noite de maior mobilização nacional até o momento. O bloqueio deixou o país praticamente isolado do exterior.
A Guarda Revolucionária Islâmica intensificou o patrulhamento em áreas centrais das grandes cidades, e há relatos de confrontos violentos. Organizações de direitos humanos afirmam que dezenas de pessoas foram mortas desde o início das manifestações.
O Judiciário iraniano também elevou o tom, advertindo que os organizadores dos protestos poderão enfrentar punições severas, incluindo a pena de morte, sob acusações de “guerra contra Deus”.
PROTESTOS SE ESPALHAM POR MAIS DE 100 CIDADES
Inicialmente concentrados nos bazares de Teerã, os atos se espalharam rapidamente pelo país e assumiram caráter mais amplo, com críticas diretas ao regime. Segundo informações de organizações independentes, manifestações foram registradas em mais de 100 cidades ao longo de quase duas semanas.
A IHRNGO, ONG de Direitos Humanos do Irã com sede na Noruega, informou que pelo menos 45 manifestantes foram mortos desde o início dos protestos, incluindo oito crianças. Centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 2.000 teriam sido detidas.
PRESSÃO INTERNACIONAL ELEVA A TENSÃO
No cenário internacional, a crise é acompanhada com atenção. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que está monitorando a situação e ameaçou atacar o Irã caso as forças de segurança intensifiquem a repressão.
Em resposta, o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, pediu que Trump “foque em seu próprio país” e acusou os Estados Unidos de incitarem os protestos. Analistas destacam que recentes ataques a infraestruturas estratégicas iranianas ampliaram a percepção de vulnerabilidade do regime, o que pode estar encorajando os manifestante
INCERTEZAS SOBRE O FUTURO DO REGIME
Especialistas avaliam que o Irã enfrenta uma “tempestade perfeita”, combinando colapso econômico, pressão social crescente e incertezas políticas. A idade avançada do Líder Supremo e a ausência de um processo claro de sucessão ampliam a instabilidade institucional.
A dificuldade do Estado em garantir condições mínimas de sobrevivência à população pode representar um ponto de ruptura sem precedentes, após décadas de resistência do regime a pressões internas e externas.
Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS
