Quarta-feira, Outubro 7, 2026

MORRE JUAREZ MACHADO, ARTISTA QUE ENCANTOU O BRASIL NO FANTÁSTICO E LEVOU A ARTE BRASILEIRA AO MUNDO

➡️O Brasil perdeu nesta terça-feira (6) um dos seus artistas mais conhecidos e versáteis. Juarez Busch Machado morreu aos 85 anos, em um hospital de Vassouras, no interior do Rio de Janeiro.

O artista estava internado desde o dia 29 de setembro, após ser diagnosticado com pneumonia. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, ele sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. Juarez também enfrentava um quadro de Alzheimer nos últimos anos. Ele deixa três filhos.

TRAJETÓRIA

Nascido em 16 de março de 1941, em Joinville, Santa Catarina, Juarez Machado começou cedo sua relação com a arte. Ainda aos três anos de idade, fez seu primeiro desenho, um tanque de guerra, em um canto de jornal.

Filho de João de Oliveira Machado, caixeiro-viajante, fotógrafo e colecionador de antiguidades, e de Leonora Busch Machado, que trabalhava em uma fábrica e pintava leques, Juarez cresceu em um ambiente próximo da arte e da criatividade.

Ele estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba, e começou a trabalhar como chargista em importantes publicações brasileiras, entre elas o Jornal do Brasil, O Cruzeiro e O Pasquim.

O HOMEM DE BRANCO QUE CONQUISTOU O FANTÁSTICO

A grande popularização de Juarez Machado aconteceu em 1974, quando ele estreou no Fantástico, da Rede Globo.

A participação começou como uma substituição temporária de Chico Anysio, que estava doente, mas acabou se transformando em um dos momentos mais lembrados da televisão brasileira.

Com o rosto pintado de branco e sem dizer uma única palavra, Juarez desenhava em um fundo preto e interagia com os próprios desenhos. O quadro ficou conhecido como “desenho de humor” e misturava criatividade, humor e poesia visual.

A atração permaneceu no ar por cerca de quatro anos e conquistou milhões de brasileiros. A trilha sonora do quadro foi assinada pelo maestro Júlio Medaglia.

Além de aparecer na frente das câmeras, Juarez também trabalhou nos bastidores da televisão. Durante mais de duas décadas, criou cenários e figurinos para programas da emissora.

Em 1974, também participou da concepção visual do primeiro especial de Roberto Carlos exibido pela Globo.

ARTE BRASILEIRA PELO MUNDO

Depois de deixar a televisão, Juarez Machado passou a se dedicar cada vez mais à pintura.

Em 1978, viajou para Nova York e Londres e, anos depois, em 1986, estabeleceu residência em Paris, na França, onde montou seu ateliê.

Seu trabalho ganhou espaço em galerias da Europa, Estados Unidos e Ásia. Suas pinturas ficaram conhecidas pelas cores fortes, pelo surrealismo e pela maneira sensível de retratar pessoas e situações do cotidiano.

A obra de Juarez também chegou ao cinema. Seus trabalhos serviram de referência para a identidade visual e a paleta de cores do filme francês “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, lançado em 2001.

RECONHECIMENTO

Ao longo da carreira, Juarez Machado recebeu importantes homenagens e prêmios no Brasil e no exterior.

Entre os reconhecimentos estão a Ordem das Artes e das Letras, concedida pela França em 2024, a Medalha do Mérito de Rio Branco, no Brasil, em 1990, além de premiações no Japão e na Itália.

Em 1964, recebeu a Medalha de Ouro no Salão de Primavera de Curitiba.

LEGADO EM JOINVILLE

Mesmo construindo uma carreira internacional, Juarez Machado manteve uma forte ligação com Joinville, sua cidade natal.

Um dos símbolos desse legado é o mural cerâmico “O Grande Circo”, instalado na fachada do Centreventos Cau Hansen. A obra possui cerca de 90 metros quadrados e reúne 963 peças pintadas à mão.

A cidade também abriga o Teatro Juarez Machado e o Instituto Internacional Juarez Machado, inaugurado em 2014 na casa onde os pais do artista viveram.

O instituto reúne parte importante da produção artística deixada por Juarez ao longo de mais de sete décadas.

ÚLTIMOS ANOS

Nos últimos anos de vida, Juarez Machado escolheu uma rotina mais tranquila no município de Vassouras, no interior do Rio de Janeiro.

Após a confirmação da morte, a Prefeitura de Joinville decretou luto oficial de três dias. O Instituto Internacional Juarez Machado também divulgou uma nota de pesar e informou que permanecerá fechado até o dia 9 de outubro.

Juarez Machado deixa uma trajetória marcada pela televisão, pelo desenho, pela pintura e pela capacidade de transformar situações simples em arte.

O artista que, durante anos, entrou na casa dos brasileiros nas noites de domingo sem precisar dizer uma palavra agora deixa seu trabalho como legado. Suas obras continuam espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, mantendo viva a memória de um dos grandes nomes da arte brasileira.

Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS

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