
➡️Com a proximidade das Eleições 2026, dúvidas sobre a segurança da urna eletrônica voltam a circular nas redes sociais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém uma série de mecanismos tecnológicos e procedimentos de auditoria destinados a proteger a integridade, a autenticidade e o sigilo do voto.
As informações fazem parte de artigo publicado pela Escola Judiciária Eleitoral, de autoria de Rodrigo Carneiro Munhoz Coimbra, analista judiciário do TSE. O texto explica diferentes camadas de proteção utilizadas no sistema eletrônico de votação.
CADEIA DE CONFIANÇA
A urna eletrônica utiliza recursos como criptografia, assinatura digital e resumos digitais para estabelecer uma chamada “cadeia de confiança” entre o hardware e o software.
Segundo o TSE, somente o software oficial produzido pela Justiça Eleitoral durante a Cerimônia de Lacração dos Sistemas Eleitorais pode ser executado em urnas certificadas. Caso seja identificada uma tentativa de executar software não autorizado, o funcionamento é bloqueado.
Os dados utilizados pela urna e os arquivos produzidos durante a votação também recebem proteção por assinatura digital, incluindo o Boletim de Urna (BU), o Registro Digital do Voto (RDV) e os registros de operações do sistema.
URNA NÃO É CONECTADA À INTERNET
Outro mecanismo de segurança está no isolamento físico da urna eletrônica.
De acordo com o TSE, a urna não possui conexão com a internet nem com redes externas durante a votação. O equipamento também não dispõe de mecanismos de comunicação sem fio ou de hardware destinado à conexão com redes.
O próprio sistema operacional utilizado na urna é preparado pela Justiça Eleitoral sem recursos que permitam acesso remoto.
TESTES PÚBLICOS DE SEGURANÇA
A segurança dos sistemas eleitorais também é submetida a testes realizados com participação de especialistas externos.
Em 2025, por exemplo, investigadores executaram planos de teste para tentar identificar vulnerabilidades nos sistemas que seriam utilizados nas Eleições 2026. Na etapa de confirmação realizada em maio de 2026, o TSE informou que os achados identificados não comprometeram o sigilo nem a integridade dos votos.
O Teste Público de Segurança da Urna faz parte do calendário da Justiça Eleitoral e tem como objetivo identificar possíveis fragilidades para que elas sejam corrigidas e novamente testadas antes das eleições.
ELEITOR PODE ACOMPANHAR AUDITORIAS
A segurança não depende apenas de mecanismos tecnológicos. Existem procedimentos públicos de auditoria que permitem verificar o funcionamento das urnas e comparar os resultados.
Um deles é a Auditoria de Funcionamento das Urnas Eletrônicas sob Condições Normais de Uso, anteriormente conhecida como votação paralela. Urnas são selecionadas por amostragem e submetidas a uma votação controlada, com os votos registrados em cédulas de papel e também na urna eletrônica. Os resultados são posteriormente comparados.
BOLETIM DE URNA É DOCUMENTO PÚBLICO
Outro mecanismo de conferência é o Boletim de Urna, emitido ao final da votação em cada seção eleitoral.
O documento registra a apuração daquela seção e pode ser utilizado para comparar os resultados registrados localmente com aqueles divulgados pelo TSE. A própria Justiça Eleitoral disponibiliza mecanismos para consulta e conferência dos resultados.
CONTROLE SOBRE O CÓDIGO-FONTE
Também existem mecanismos para controlar quem pode alterar os sistemas eleitorais.
Segundo o artigo do TSE, o acesso ao código-fonte é restrito a servidores e colaboradores autorizados. As alterações realizadas são registradas, permitindo identificar o que foi modificado e por quem.
Além disso, as equipes responsáveis pelo desenvolvimento do software da urna e pelo sistema de totalização são separadas, criando uma divisão de responsabilidades dentro da estrutura tecnológica da Justiça Eleitoral.
FISCALIZAÇÃO POR INSTITUIÇÕES E SOCIEDADE
Partidos políticos, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) podem acompanhar etapas relacionadas ao desenvolvimento dos sistemas, incluindo a inspeção do código-fonte e a verificação das assinaturas digitais.
Mesários e colaboradores que atuam na preparação, transporte e manutenção das urnas não têm acesso ao código-fonte dos sistemas eleitorais.
SEGURANÇA ENVOLVE VÁRIAS CAMADAS
A proteção do sistema eleitoral brasileiro, portanto, não depende de uma única tecnologia. Ela combina mecanismos criptográficos, assinaturas digitais, isolamento das urnas, controle de acesso, testes públicos, auditorias, fiscalização institucional e possibilidade de conferência dos resultados.
Para as Eleições 2026, o TSE mantém uma área específica de transparência e segurança, com informações sobre o Teste Público da Urna, segurança do processo eleitoral e resumos digitais utilizados no primeiro e no segundo turnos.
O artigo de Rodrigo Carneiro Munhoz Coimbra, publicado pela Escola Judiciária Eleitoral, apresenta esses mecanismos como parte da estrutura criada pela Justiça Eleitoral para proteger o processo de votação e permitir sua fiscalização pela sociedade.
Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS
Com informações: TSE
