
➡️Ser motorista de transporte coletivo na Região Metropolitana do Recife (RMR) significa enfrentar diariamente uma rotina marcada por pressão, violência urbana, trânsito intenso e riscos à integridade física e mental. Em 2026, os números levantados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pernambuco (Sintro-PE) revelam o agravamento do cenário enfrentado pelos profissionais.
Entre janeiro e agosto deste ano, foram registrados 1.372 casos de violência contra motoristas de ônibus no Grande Recife, segundo levantamento do sindicato. Os episódios incluem assaltos, ameaças, agressões físicas e ataques contra os veículos do transporte coletivo.
CATEGORIA COBRA MAIS SEGURANÇA
A sequência de ocorrências de violência e a sensação de insegurança levaram os rodoviários a intensificar as cobranças por medidas de proteção. A categoria realizou protestos e chegou a estabelecer um ultimato ao Governo de Pernambuco, com possibilidade de deflagração de uma greve geral caso providências consideradas urgentes não sejam adotadas.
Para os trabalhadores, a falta de segurança transforma cada jornada em uma situação de tensão permanente. Além de conduzir os veículos e garantir o transporte de milhares de passageiros diariamente, os motoristas precisam lidar com situações de conflito durante o percurso.
AGRESSÕES E ATAQUES CONTRA ÔNIBUS
Somente em 2026, o Sintro-PE já contabilizou 96 casos de agressões contra motoristas de ônibus. Em todo o ano de 2025, foram registrados 426 episódios de violência contra condutores de coletivos.
Os profissionais também ficam expostos a ataques contra os próprios ônibus. Há registros de veículos apedrejados, atingidos por disparos de arma de fogo e até incendiados, situações que colocam em risco não apenas os trabalhadores, mas também passageiros e demais pessoas que circulam pelas vias.
Além da criminalidade, os motoristas também relatam episódios de agressividade no trânsito. Discussões com outros condutores e motociclistas podem evoluir para ameaças, agressões físicas e vandalismo contra os coletivos.
197 MOTORISTAS AFASTADOS POR PROBLEMAS PSICOLÓGICOS
O impacto da rotina de trabalho também aparece nos números relacionados à saúde mental.
De acordo com dados do Sintro-PE levantados a pedido do Diario de Pernambuco, 197 motoristas de ônibus que atuam no Grande Recife já foram afastados por questões psicológicas em 2026.
O número representa uma média de aproximadamente 49 afastamentos por mês.
O cenário chama atenção quando comparado aos dados de 2025. No ano passado, foram registrados 486 afastamentos de motoristas por problemas psicológicos. Segundo o sindicato, em apenas quatro meses de 2026, a categoria já havia alcançado cerca de 40% do total registrado durante todo o ano anterior.
PRESSÃO DURANTE A JORNADA
A atividade profissional envolve uma série de fatores que contribuem para o desgaste dos trabalhadores. Entre eles estão o trânsito intenso, a cobrança pelo cumprimento de horários, a responsabilidade pela segurança dos passageiros e a exposição constante a situações de conflito.
Em determinadas operações, os profissionais também acumulam funções, como conduzir o veículo e realizar a cobrança de passagens, aumentando a carga de responsabilidades durante a jornada.
A combinação desses fatores pode contribuir para quadros de estresse, ansiedade, crises de pânico e outros problemas relacionados à saúde mental.
UMA PROFISSÃO ESSENCIAL EM MEIO AO RISCO
Os motoristas de ônibus desempenham papel fundamental no funcionamento da Região Metropolitana do Recife, transportando diariamente milhares de passageiros entre os municípios da região.
Apesar da importância da atividade, os números apresentados pelo Sintro-PE mostram que os profissionais estão submetidos a uma realidade de violência e pressão que ultrapassa os riscos comuns da profissão.
Com 1.372 ocorrências de violência registradas até agosto, 96 agressões contra motoristas e 197 afastamentos por questões psicológicas somente em 2026, a categoria cobra respostas das autoridades e medidas capazes de garantir condições mais seguras de trabalho.
A possibilidade de uma paralisação geral aumenta a pressão sobre o Governo de Pernambuco para que sejam apresentadas soluções concretas para reforçar a segurança nos ônibus e preservar a integridade física e mental dos trabalhadores do transporte coletivo.
Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS
