Terça-feira, Julho 28, 2026

ENTENDA POR QUE GESTANTES NÃO PODEM DAR À LUZ EM FERNANDO DE NORONHA

➡️Uma mulher de 26 anos deu à luz um menino neste domingo (26) no Hospital São Lucas, em Fernando de Noronha, em um caso considerado excepcional pelas autoridades de saúde. O arquipélago não realiza partos regularmente desde 2004, quando a maternidade da ilha foi desativada e passou a vigorar um protocolo que determina a transferência de gestantes para o Recife antes do nascimento do bebê.

De acordo com a Administração de Fernando de Noronha, a mulher procurou atendimento médico com fortes dores, mas inicialmente negou estar grávida. Após a realização de exames, a equipe médica confirmou uma gestação de 41 semanas e identificou que o trabalho de parto já estava em estágio avançado, tornando impossível uma transferência segura para a capital pernambucana.

O parto foi realizado pela equipe do Hospital São Lucas, e tanto a mãe quanto o recém-nascido permaneceram estáveis após o nascimento.

Na madrugada desta segunda-feira (27), o bebê foi transferido em uma UTI aérea para o Hospital Maria Lucinda, no Recife, onde segue internado com quadro clínico controlado. A mãe foi levada posteriormente para a capital em um voo comercial e também apresenta bom estado de saúde. Conforme a legislação federal em vigor desde 2017, a criança poderá ser registrada como natural de Fernando de Noronha.

POR QUE OS PARTOS NÃO SÃO REALIZADOS EM FERNANDO DE NORONHA?

Apesar da crença popular, não existe uma lei que proíba o nascimento de bebês em Fernando de Noronha. O que existe é um protocolo de saúde implantado em 2004, após o encerramento das atividades da maternidade da ilha.

Pelas regras atuais, gestantes residentes ou que estejam no arquipélago com 28 semanas de gravidez ou mais devem ser encaminhadas ao Recife para realizar o parto.

O Governo de Pernambuco custeia as passagens aéreas, hospedagem e alimentação da gestante e de um acompanhante durante o período que antecede e sucede o nascimento da criança.

A medida segue recomendações do Ministério da Saúde, que orienta que os partos ocorram em hospitais com maternidade estruturada, equipes especializadas e unidades de terapia intensiva para mães e recém-nascidos.

O Hospital São Lucas é uma unidade de média complexidade e não possui estrutura obstétrica nem UTI neonatal para atender possíveis complicações durante o parto.

Além da limitação da estrutura hospitalar, Fernando de Noronha possui cerca de 3,1 mil habitantes e está localizado a mais de 500 quilômetros do litoral pernambucano. Segundo as autoridades, manter permanentemente uma maternidade completa e equipes especializadas na ilha seria economicamente inviável e poderia comprometer a segurança dos pacientes.

PROTOCOLO GERA DEBATES

A política de transferência obrigatória das gestantes é alvo de discussões há anos. Muitas moradoras defendem o direito de dar à luz na própria ilha, onde vivem com suas famílias.

O tema ganhou repercussão nacional com o documentário “Proibido Nascer no Paraíso”, lançado em 2021, que reúne relatos de mulheres de Fernando de Noronha sobre os impactos emocionais e sociais da necessidade de deixar a ilha para o nascimento dos filhos.

Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando uma gestante se recusou a viajar por receio da doença e acabou sendo levada ao Recife em voo fretado pelo Governo de Pernambuco para realizar o parto.

As autoridades reforçam que o nascimento registrado neste domingo foi uma situação excepcional, provocada pela falta de informação sobre a gestação e pelo trabalho de parto já bastante avançado quando a paciente procurou atendimento médico. O protocolo de transferência das gestantes para o Recife continua em vigor.

Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS

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