Quarta-feira, Julho 1, 2026

CREA-PE CRITICA MODELO DE CONCESSÃO DO METRÔ DO RECIFE E DEFENDE MAIS INVESTIMENTOS E EXPANSÃO DA REDE

➡️O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE) promoveu, nesta terça-feira (30), um seminário na sede da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), para discutir a crise enfrentada pelo Metrô do Recife e analisar a proposta de concessão do sistema elaborada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com os governos Federal e Estadual.

O debate aconteceu um dia após a paralisação total da Linha Sul do metrô, provocada pela falta de trens em operação, situação que afetou milhares de passageiros e reforçou, segundo especialistas, a necessidade de mudanças no projeto de concessão.

CONSELHO APONTA FALTA DE EXPANSÃO DA REDE
Durante o encontro, integrantes do Comitê Tecnológico Permanente (CTP) apresentaram sete documentos técnicos encaminhados ao Governo Federal com sugestões para modificar a modelagem do contrato de concessão, previsto para vigorar por 30 anos.

Entre as principais críticas está a ausência de um plano de expansão da malha ferroviária. Para o presidente do Crea-PE, Adriano Lucena, a proposta limita-se à recuperação da estrutura existente, sem prever o crescimento do sistema para acompanhar a expansão urbana da Região Metropolitana do Recife.

RECURSOS PREVISTOS SÃO CONSIDERADOS INSUFICIENTES
Outro ponto destacado pelo conselho diz respeito ao volume de recursos previstos para a requalificação do metrô. Embora o acordo entre a União e o Governo de Pernambuco reserve cerca de R$ 4 bilhões para o sistema, o Crea-PE considera o valor insuficiente para atender todas as necessidades.

Segundo os especialistas, dos 15 trens adquiridos entre 2013 e 2014, apenas dez continuam em operação. Ainda assim, os estudos utilizados pelo BNDES consideram que 12 composições poderiam ser aproveitadas, número contestado pelos técnicos.

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O projeto também prevê a aquisição de 18 novos trens, enquanto o conselho defende a compra de pelo menos 30 unidades para garantir um funcionamento adequado da rede. Além disso, estruturas como viadutos e a rede aérea de energia, que possuem mais de quatro décadas de uso, necessitam de investimentos específicos, considerados urgentes pelos engenheiros.

INTEGRAÇÃO COM ÔNIBUS E SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA
O Crea-PE também demonstrou preocupação com a falta de integração entre a concessão do metrô e a futura licitação do sistema de ônibus da Região Metropolitana do Recife. Para os especialistas, ambos os modais devem funcionar de forma integrada para melhorar a mobilidade urbana e aumentar a eficiência do transporte público.

Outra preocupação apresentada foi a sustentabilidade financeira do contrato ao longo dos 30 anos de concessão, já que o Estado continua destinando elevados recursos para subsidiar o transporte coletivo.

PROPOSTAS APRESENTADAS PELO CREA-PE
Entre as sugestões apresentadas pelo conselho estão a inclusão obrigatória de um plano de expansão da malha ferroviária no contrato de concessão, a utilização de fontes de energia renovável, como painéis solares para reduzir custos operacionais, e a gestão integrada do sistema pelo Consórcio de Transporte Metropolitano.

O secretário executivo de Parcerias do Governo de Pernambuco, Marcelo Bruto, afirmou que a prioridade do Estado é recuperar plenamente o sistema atual, mas ressaltou que a expansão da rede também faz parte dos planos futuros.

O projeto de concessão passou por consultas e audiências públicas ao longo de 2026. A transferência dos ativos da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para o Governo de Pernambuco e a publicação do edital de concessão ainda dependem da conclusão dos ajustes técnicos e administrativos.

Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS

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