Quarta-feira, Março 4, 2026

MOJTABA KHAMENEI É ELEITO NOVO LÍDER SUPREMO DO IRÃ PELA ASSEMBLEIA DE ESPECIALISTAS

➡️ A Assembleia de Especialistas do Irã elegeu, nesta terça-feira (3), Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo da República Islâmica. A decisão teria seguido recomendação do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), conhecido como Pasdaran.

A informação foi divulgada pelo veículo estatal Iran International, que citou fontes consideradas confiáveis. O jornal israelense Haaretz também noticiou a escolha.

PERFIL DO NOVO LÍDER
Mojtaba Khamenei nasceu em 8 de setembro de 1969, na cidade de Mashhad. Ele é o segundo filho do atual líder supremo do país, Ali Khamenei, e de Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh.

Ao longo das últimas décadas, Mojtaba consolidou influência significativa nos bastidores da política iraniana, mantendo estreitas ligações com facções conservadoras e com a Guarda Revolucionária. Embora nunca tenha ocupado cargos públicos eletivos nem trilhado um percurso formal comparável ao de altos clérigos do regime, seu peso político cresceu especialmente pela proximidade com estruturas de poder militar e religioso.

Ele também é apontado como figura próxima ao Basij, milícia ligada à Guarda Revolucionária que atuou de forma contundente na repressão às manifestações de 2009, após as eleições presidenciais daquele ano. Desde então, seu nome circulava entre analistas como possível sucessor do pai.

QUESTIONAMENTOS SOBRE LEGITIMIDADE RELIGIOSA
Especialistas em política iraniana frequentemente destacaram que, apesar de contar com forte apoio entre setores conservadores, Mojtaba não possui o reconhecimento clerical tradicional exigido para o cargo.

A Constituição do Irã determina que o líder supremo deve ser um jurista islamista de elevado prestígio religioso — um “marja’”, autoridade máxima em jurisprudência islâmica xiita. Analistas ocidentais apontam que Mojtaba não reúne plenamente essa qualificação teológica, o que pode gerar questionamentos quanto à legitimidade formal de sua liderança.

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CONTEXTO DE CRISE E GUERRA
A eleição ocorre em meio a um cenário de guerra e instabilidade institucional. De acordo com relatos divulgados pela imprensa internacional, ataques recentes teriam provocado a morte de figuras-chave do regime ou deixado potenciais candidatos à sucessão em posições fragilizadas dentro da estrutura de poder.

Pela legislação iraniana, cabe à Assembleia de Especialistas eleger o líder supremo. Até a definição oficial, um conselho provisório — formado pelo presidente da República, pelo chefe do Judiciário e por um representante do Conselho dos Guardiões — pode assumir temporariamente as funções da liderança.

IMPACTO POLÍTICO E RISCO DE TENSÕES INTERNAS
A escolha de um membro direto da família Khamenei representa um marco histórico no sistema político iraniano. Embora o país seja uma teocracia centralizada desde a Revolução Islâmica de 1979, não há previsão explícita de sucessão hereditária nos moldes de uma monarquia.

A nomeação de Mojtaba pode intensificar tensões internas, tanto entre reformistas quanto entre setores religiosos que consideram a possibilidade de formação de uma dinastia incompatível com o princípio do “velayat-e faqih” — o sistema de governo baseado na autoridade do jurista-guardião.

O cenário permanece incerto, e a consolidação de Mojtaba Khamenei no posto mais alto do regime deverá influenciar diretamente os rumos políticos, militares e diplomáticos do Irã nos próximos meses.

Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS

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