Domingo, Fevereiro 8, 2026

MICRO-PREMATURO NASCE PESANDO MENOS QUE UMA LATA DE REFRIGERANTE; ENTENDA

➡️A gravidez costuma trazer mudanças significativas na vida de uma mulher, mas para Tamiris Duarte, de 35 anos, o período foi marcado por um desafio ainda mais delicado: ainda no primeiro trimestre da gestação de gêmeos, ela recebeu o diagnóstico de uma doença renal autoimune grave e precisou iniciar hemodiálise diária até o nascimento dos bebês.

Moradora de Itapevi, na Grande São Paulo, Tamiris enfrentou meses de deslocamentos constantes para hospitais da capital paulista, além de internações e complicações que colocaram sua vida e a dos filhos em risco.

Apesar do quadro crítico, os gêmeos nasceram como prematuros extremos, permaneceram cerca de cinco meses internados e, atualmente, estão saudáveis.

DIAGNÓSTICO INESPERADO DURANTE O PRÉ-NATAL
Tamiris e o marido, Danilo Lopes, de 36 anos, tentavam engravidar quando receberam a confirmação da gestação no início de 2025. A surpresa foi ainda maior ao descobrirem que seriam gêmeos.

“A gravidez foi natural. A gente não imaginava que seriam dois, apesar de ele sempre brincar que teria gêmeos”, contou Tamiris.

No terceiro mês de gestação, ela começou a apresentar inchaço nas mãos e nos pés. A princípio, acreditou ser um sintoma comum, principalmente por se tratar de uma gestação gemelar. No entanto, um episódio de sangramento a levou ao hospital, onde exames apontaram creatinina muito elevada e pressão arterial difícil de controlar.

Pouco tempo depois, veio o diagnóstico: insuficiência renal severa.

HEMODIÁLISE DIÁRIA E INTERNAMENTO NA UTI
Mesmo já tendo histórico de hipertensão, Tamiris afirma que nunca havia sido diagnosticada com problemas renais antes da gravidez.

“A gravidez acabou sobrecarregando tudo”, relatou.

A gestante chegou a ser internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e iniciou sessões de hemodiálise ainda durante a gestação, precisando realizar o procedimento diariamente para manter o organismo estável.

“Foi muito cansativo. Sempre trabalhei e, de repente, passei a depender totalmente dessas idas ao hospital”, disse.

O obstetra Eduardo Cordioli, diretor técnico de obstetrícia do Hospital e Maternidade Santa Joana, explicou que o procedimento pode ser feito durante a gestação, desde que em unidades especializadas.

> “Ela salva vidas e pode ser feita com segurança. Normalmente aumentamos a frequência das sessões para manter o sangue mais limpo e reduzir riscos para o bebê”, afirmou.

DOENÇA AUTOIMUNE FOI IDENTIFICADA APÓS BIÓPSIA
Durante o acompanhamento médico, uma biópsia renal confirmou a causa do problema: nefropatia por IgA, conhecida como doença de Berger, uma condição autoimune que compromete os rins.

Segundo especialistas, o anticorpo se deposita nos glomérulos — estruturas responsáveis por filtrar o sangue — causando inflamação e perda progressiva da função renal, podendo levar à necessidade de diálise.

Os sintomas podem ser discretos e, em muitos casos, a doença é descoberta apenas em exames de rotina do pré-natal.

O médico destacou ainda que a gravidez pode acelerar doenças renais já existentes.

“A gestação exige cerca de 50% a mais da função renal. Quando a mulher já tem alguma alteração, isso pode fazer a doença evoluir mais rapidamente”, explicou.

PARTO DE EMERGÊNCIA APÓS DESCOLAMENTO DE PLACENTA
Desde o início, os médicos alertaram que a condição poderia afetar o desenvolvimento dos bebês, que apresentavam ganho de peso abaixo do esperado nos exames de ultrassom.

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Na 26ª semana de gestação, durante uma sessão de hemodiálise, Tamiris sofreu um sangramento intenso causado por descolamento de placenta e precisou passar por um parto de emergência.

O bebê Salvattore nasceu com apenas 390 gramas, sendo considerado o menor recém-nascido registrado na maternidade nos últimos cinco anos. Já a irmã gêmea, Pietra Felicitá, nasceu pesando 595 gramas.

> “Quando o vi pela primeira vez, fiquei assustada com o tamanho. Meu marido viu antes, só consegui conhecê-lo três dias depois”, relembrou a mãe.

CINCO MESES NA UTI NEONATAL
Após o nascimento, os dois bebês foram encaminhados imediatamente para a UTI Neonatal, onde permaneceram por cerca de cinco meses, recebendo cuidados intensivos e monitoramento constante.

O período foi descrito como extremamente difícil pela família, especialmente porque Tamiris precisou retomar a hemodiálise logo após o parto.

“Tive alta e no dia seguinte já estava fazendo sessão novamente”, contou.

Especialistas explicam que recém-nascidos com esse perfil são considerados micro-prematuros, classificados como casos raros e de alto risco devido à imaturidade dos órgãos.

> “Bebês com esse peso enfrentam desafios enormes. A pele é extremamente frágil, o sistema imunológico ainda é muito vulnerável e os pulmões geralmente não estão completamente formados”, explicou a equipe médica.

RECUPERAÇÃO DOS BEBÊS E ESPERANÇA PARA OUTRAS MÃES
Apesar das complicações, os gêmeos evoluíram bem e não apresentaram sequelas. Segundo a família, o desenvolvimento motor, neurológico e cognitivo está adequado, embora os dois sigam em acompanhamento médico.

Atualmente, Tamiris continua realizando hemodiálise três vezes por semana e aguarda um transplante renal, já que a doença comprometeu os dois rins.

Ela afirma que o apoio do marido e da equipe médica foi essencial durante todo o processo.

“Criamos vínculo com as profissionais da UTI. Quando veio a alta foi felicidade, mas também saudade”, relatou.

Para a família, ver os filhos em casa e saudáveis representa um alívio após meses de medo e incertezas.

“Depois de tudo, ver os dois bem em casa dá esperança para outras mães que passam por situações parecidas”, concluiu.

AVANÇOS NA MEDICINA NEONATAL AUMENTAM CHANCES DE SOBREVIVÊNCIA
Especialistas apontam que casos como esse têm se tornado mais viáveis graças aos avanços da medicina neonatal e protocolos modernos voltados ao atendimento de prematuros extremos.

Entre as medidas recentes destacadas está o uso de imunizantes como o nirsevimabe, que ajuda na proteção contra vírus respiratórios e pode reduzir complicações graves em bebês vulneráveis.

Enquanto isso, famílias que enfrentam esse tipo de situação também recebem acompanhamento psicológico, diante da tensão e da longa permanência hospitalar exigida nesses casos.

O caso de Tamiris e seus filhos segue como exemplo de superação e resistência, reforçando a importância do acompanhamento médico especializado e do suporte familiar em gestações de alto risco.

Da redação JABOATÃO AQUI NOTÍCIAS

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